15 fevereiro 2012

Os manos e as birras

O primeiro filhote, que era único, que era tão bem comportado, tão carinhoso, um modelo de criança… Até queria um mano, até adorou conversar com o mano que estava na barriga, até dizia que lhe dava todos os brinquedos, andava extasiado e contava a quem com ele se cruzava na rua que ia ter um mano!! Mas um dia o mano chegou a sério. E o mano a sério afinal não brincava, não falava, não andava, não se sentava, não se ria… E como se não bastasse isto, o mano a sério passa a ocupar demasiado a mamã… E agora? Como se sentem vós, mamãs, quando deixam de ser o centro das atenções de alguém? É só isto… É tão simples quanto isto: o nosso bebé crescido foi obrigado a dar um grande passo no seu crescimento. Fizemos alguma coisa mal? Nem pensar, de todo! Demos-lhe a melhor prenda do mundo: um mano. Mas, tal como ele, também nós temos que ser fortes:

E não desesperar nunca com as mudanças de comportamento, porque o nosso filho crescido não se deseducou de um dia para o outro, não deixou de ser carinhoso e nosso amigo de um dia para o outro. Está apenas a crescer. E a tentar mostrar-nos que também existe, e a tentar garantir que não será esquecido. Por muito que lhe digamos e mostremos que ele será sempre importante para nós, tanto como o novo bebé, ele não conseguirá acatar isso de mão beijada. Simplesmente acha que lhe roubaram o lugar. E a forma de o ir aceitando, é simplesmente provocando-nos, desafiando a nossa paciência. Há que ser tolerante. Tudo passa, o nosso filho está simplesmente a crescer!

14 fevereiro 2012

Meu querido amigo forno!

Não sou grande fã da comida pré-preparada... E por isso mesmo, a cozinha acaba por ser mais uma coisa importante a gerir, para conseguir comer saudável durante toda a semana de trabalho!

E para quem prepara refeições como eu... Fazem-no por gosto, ou porque tem que ser? Eu faço por gosto, mas ainda assim há dias em que me apetecia chegar a casa e ter o jantar na mesa. E porque esses dias acontecem, quando estou na onda inversa cozinho a triplicar ou a quadriplicar... E congelo prontinho a por no forno. Sabe tão bem... E sabe melhor ainda, porque é um instantâneo caseiro!
Os pratos que têm já tudo incorporado ( carne/peixe, massa/arroz/batata e legumes ) são os melhores. Põem-se no forno antes de começar a dar banhoca aos pequenos, e no fim da banhoca é só sentar à mesa. Mas há muitos outros que também são práticos, e que quando se faz tanto faz fazer para uma vez como para 4 ou 5 vezes, como o bacalhau com natas, carne à bolonhesa, carne estufada, caldeiradas de peixe... Experimentem. Sabe tão bem naquele dia em que estamos mais cansadas poder não cozinhar e não ter que passar obrigatoriamente pelo recurso da pizza ou do frango assado!!

Também para a sopa faço algo parecido, que no dia-a-dia depois sabe muito bem: Disponho-me um dia (de vez em quando, talvez uma vez por mês) a arranjar hortaliça em quantidade, escaldar e congelar em saquinhos pronto para por na panela. Sejam couves já cortadas, sejam espinafres, nabiças, ou mesmo agrião.   Sabe bem saltar este passo quando é preciso fazer sopa, e em cerca de 20min temos uma sopinha acabada de fazer!!

Para os restantes dias, aqueles em que efectivamente cozinho para o dia, a organização passa pelo dia anterior. Durante o percurso trabalho-casa, em vez de me chatear com o caos do trânsito e com o tempo de viagem, vou pensando no que me apetece jantar no dia seguinte. Às vezes em linha de conta com o que tenho em casa, outras passo pelas compras antes de chegar a casa a comprar qualquer coisa que falte. Em casa, e depois de deitar os pequenos, oriento tudo o que posso para a refeição do dia seguinte: cebola picada no tacho, arroz medido e lavado, batatas e legumes descascados... Tudo o que possa e me deixe menos trabalho para o dia seguinte. Às vezes até deixo a loiça para pôr a mesa em cima da bancada da cozinha, com um pano por cima. E garanto-vos que assim é quase sempre possível comer comida caseira, variar, e jantar a tempo e horas :o)

02 fevereiro 2012

Tempo de qualidade, ou tempo em quantidade?


  Oiço tantas e tantas vezes que mais vale pouco, desde que seja de qualidade... Pois eu discordo. O "pouco de qualidade" é normalmente o fim de dia atribulado com banhos, jantar, cama... Será que realmente resta alguma qualidade na nossa correria do dia-a-dia? Francamente não me parce... E a experiência diz-me que mais vale todo o que for possível, e com a melhor qualidade que consigamos. Vale mais estarmos por perto deles, ainda que não consigamos estar a dar-lhes a atenção que eles gostariam. Aos poucos, neste evoluir da carreira de mãe que os anos nos vão proporcionando, felizmente descobri que é possível dar-lhes tempo, muito e de qualidade:


  - Sempre que consigo, fico a trabalhar em casa. Eles têm a rotina deles e eu a minha, mas estando em casa consigo almoçar com eles.
  - Quando tenho alguma coisa a tratar que prevejo que não demora muito tempo, levo um deles comigo. Eles ficam felizes e acabam por ser uma boa companhia. E para quem tem filhotes que no supermercado pedem tudo e mais um par de botas... Isso domestica-se, como tantas outras coisas.
  - Tento sempre tirar férias quando eles têm férias da escola, nem que seja para ficar em casa com eles. Cansa mais do que o trabalho fora de casa, mas é muito mais gratificante também.
  - Tento sempre não faltar às actividades da escola (desfiles, festas de Natal, aniversários deles, ....)
  - Nos dias em que me atraso e chego realmente tarde a casa, ponho qualquer coisa no forno e sento-me com eles a brincar um pouco. Nesses dias as birras normalmente são mais acentuadas, por isso sinto que é importante deixar um pouco de lado o "despachem-se vamos tomar banho, despachem-se vamos comer, despachem-se vamos deitar...". Tento dizer a mim própria que eles não têm culpa de eu ter chegado tarde. E nesses dias o pouco tempo acaba por saber a muito. (Claro está que também tenho dias em que não consigo... e ralho mais do que o que brinco... O meu compromisso para comigo é, no entanto, tentar que não haja muitos dias destes!)

  Sugiro que tentem, ao menos de vez em quando, ficar em casa com eles. Levá-los às compras. Dizer-lhes não quando pedem televisão, e sentarem-se no chão com eles a fazer um jogo ou a ler uma história. As primeiras vezes custa. Não estamos habituados a ser pais a tempo inteiro. Mas depressa se descobre como isso permite criar laços que acabam por os tornar crianças mais calmas, e quão aprazível acaba por ser :)