03 julho 2012

Dizer não é difícil

A vontade é dizer não. A facilidade é dizer sim. Diz-se sim (ainda que anteriormente se tenha dito não), porque senão a criança chora. Diz-se sim, porque senão a criança grita. Diz-se sim, porque afinal de contas quem manda lá em casa já é a criança, e os pais nem sequer deram por isso.
As minhas crianças também choram. Também gritam, também fazem birras. Mas também sabem que de nada lhes serve. E, aos poucos, começam a perceber que melhor do que chorar pelo brinquedo novo, é tentar negociar "Ofereces-me este no próximo Natal ou nos meus anos?" Ainda que o Natal esteja a meio ano de distância, ainda que o último aniversário tenha sido o mês passado. As minhas crianças estão a aprender a saber esperar e a não querer tudo para ontem. E eu fico feliz quando (como aconteceu no passado dia da criança) lhes dou de presente um brinquedo que durante o ano tinha sido arrumado por castigo, e os seus olhares brilham de alegria: reconhecem o brinquedo, não é novo, mas é sinal que eles mereceram voltar a tê-lo. Sentem-se importantes. Eles ficaram felizes com um brinquedo que já era deles, sem questionar porque não tiveram um novo, afinal de contas era dia da criança. E eu fiquei feliz pelas tantas vezes que disse não e os ouvi chorar desenfreadamente, ainda que fosse mais fácil dizer sim e vê-los sorrir.

Uma época em que tudo é permitido sempre tornou infelizes aqueles que nela viveram. Disciplina, abstinência, cortesia, música, moral, poesia, forma, proibição, tudo isso tem como sentido último conferir à vida uma forma bem delimitada e determinada. Não existe felicidade desregrada. Não existe grande felicidade sem grandes tabus. Até no mundo dos negócios não podemos correr atrás de qualquer vantagem, porque nos arriscamos a não chegar a lugar nenhum. O limite é o segredo dos fenómenos, o mistério da força, da felicidade, da fé e da nossa missão, que é a de nos afirmarmos como ínfimos seres humanos num universo.
Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades'

Por uma vida melhor - Perdoe


Perdoe. Ignore. Não guarde rancor. Aceite que havia um motivo para alguém ter agido como agiu. Perdoe, e tirará um peso dos ombros. Perdoe, perdoe-se a si próprio, e seja uma pessoa mais leve. 

As ofensas, que na verdade consistem sempre na exteriorização da falta de consideração, colocar-nos-iam bem menos fora de nós mesmos se, por um lado, não nutríssimos uma representação tão exagerada do nosso elevado valor e da nossa dignidade - portanto, um orgulho desmesurado - e, por outro, se estivéssemos bastante cientes daquilo que, via de regra, no fundo do coração, cada um crê e pensa dos outros.
Que contraste flagrante entre a susceptibilidade da maioria das pessoas à mais ténue alusão de censura a seu respeito, e aquilo que ouviriam de si, caso surpreendessem as conversas dos seus conhecidos! Deveríamos, antes, ter em mente que a polidez habitual é apenas uma máscara burlesca; desse modo, não gritaríamos tão alto todas as vezes que esta fosse deslocada ou retirada por um breve instante.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

02 julho 2012

Simplificar - o roupeiro dos miúdos


Descobri que me governo muito bem governada com 7 mudas de roupa completas para cada um dos pequenos. Seja verão, seja inverno, antes de fazer as compras da estação avalio o que ainda está em bom estado e o que já não lhes serve. Verifico quantas mudas completas ou peças soltas me faltam para, com o que já tenho, fazer 7 mudas para cada um. E vou às compras com a listinha do que me falta. E passei a gastar muito menos dinheiro... A ter mais espaço, e a ter roupa suficiente.
Descobri que 7 é muito menos do que normalmente se tem para os miúdos. Descobri que 7 mudas completas resistem mesmo aos dias que chove a fio e a roupa demora 3 dias a secar. Descobri que os saldos só devem servir para procurar uma peça que realmente nos faça falta no momento ou que potencialmente vá servir para uma das 7 mudas da estação seguinte, e que ao comprar menos roupa posso pagar um pouco mais por uma muda melhor, ou por uma muda que me encha as medidas!

Além das 7 mudas, cada um tem 2 agasalhos de inverno e 1 de verão, 1 par de botas e 1 par de sapatos/ténis no inverno e 1 par de sapatos/sandálias e uns chinelos no verão. 

E a isto se resume o roupeiro dos meus miúdos.