09 janeiro 2013

Varicela em dose tripla

Há alturas da nossa vida em que achamos que afinal 3 crianças são muitos filhos. Alturas em que pensamos onde estaria a nossa cabeça quando decidimos assim. Estou numa fase dessas - desde o dia 23 de Dezembro, quando apareceram as primeiras pintas na princesa do meio. Desde o dia 23 de Dezembro, acho que a minha cama já mal me conhece. Agora sou conhecida no tapete do quarto dos miúdos. Sem pausas, uns atrás dos outros. 

O caos e o cansaço trás-nos algumas coisas interessantes: consegue-se simplificar bastante mais a vida. Melhor que tudo, consegue-se aceitar uma simplificação caótica como sendo um estado normal...

A minha cama improvisada no tapete dos miúdos continua lá - ao 3º dia desisti de arrumar mantas, edredons e almofada. Os miúdos não saem de casa, e por isso a roupa que vestem é mais do mesmo - troca-se a roupa interior e enquanto a roupa de cima não está intragavelmente cheia de nódoas continua-se a vestir. A minha máquina da roupa agradeceu as pausas. E eu também, pessoalmente. A ceia de Natal, dia de Natal e Ano Novo foram forçosamente na minha casa - o que fez com que ficasse com uma dose substancial de refeições prontas para os dias seguintes, só foi preciso fazer sopa. Confesso que comer mais do que 3 refeições seguidas o mesmo não é muito simpático por mais que seja um prato que gostemos, ainda assim é mais simpático do que ter que cozinhar todas as refeições quando estamos fisicamente exaustos. 

As borbulhas parecem estar agora na reta final e a minha casa começa, aos poucos, a ser arrumada em condições e a parecer uma casa decente. Não gosto quando me dizem que são coisas que fazem parte. O que tem que ser tem muita força, mas passar noites a fio a medir febre e a segurar mãos para não arrancarem crostas escusava de fazer parte... 

30 dezembro 2012

(Quase) contente com o Natal


Estou (quase) contente com o Natal.
A ceia foi fantástica. A ceia foi o que devia ser o Natal: a família à volta da mesa. A família toda, na nossa casa. Uma ceia de improviso porque uma das pequenas ficou doente, que acabou por se transformar num delicioso convívio de 21 pessoas sentadas à mesa. Na minha mesa. Na minha casa. Foi fabuloso. Foi Natal!

Depois vieram as prendas, e eu estou (quase) contente com as prendas. Contente, porque consegui pôr travão no exagero e limitar quantidades - oferecendo prendas conjuntas, e sugerindo aos familiares que fizessem o mesmo; oferecendo mais livros do que brinquedos... Quase contente, porque ainda assim acho tanto... O Natal devia ser a mesa e a família... Eu ambiciono que os pequenos se lembrem do Natal pela mesa de toalha vermelha, pela família reunida e pela agradável confusão de tanta gente... Por isso eu estou (quase) contente com o Natal: a ceia foi fabulosa, os presentes foram (quase) equilibrados...

12 dezembro 2012

Simplificar - a segurança das crianças

A segurança em coisas básicas. Em coisas que só nos lembramos quando o acidente acontece.

As portas das várias divisões da casa têm chave? E têm a chave na porta? As minhas portas não têm chave na porta, foram todas retiradas quando o mano crescido nasceu. Na verdade não fazem falta.

O que se guarda debaixo do lava-loiça? Desde que nasceu o primeiro filhote, guarda-se o azeite, o vinagre, o sal, os alhos e cebolas, o louro... Desde que nasceu o primeiro filhote que os detergentes migraram para a prateleira mais alta da dispensa, ficou apenas em cima do lava-loiça o detergente da loiça. Também nos armários do wc deixou de haver detergentes, agora os detergentes do wc são vizinhos dos detergentes da cozinha na mesma prateleira da dispensa. No armário do wc guarda-se papel higiénico, caixas de lenços, guardanapos... E devo dizer-vos que tem o seu quê de divertido, quando numa festa me perguntam onde há mais guardanapos e eu respondo "no armário do wc..." :)

Que medicamentos há espalhados pela casa? Muito poucos. Os que estão a uso, apenas, e esses ficam em cima do frigorífico onde só os adultos chegam. E dos que não estão a uso, desde que nasceu o primeiro filhote, levaram uma grande volta e concentrou-se o indispensável numa única caixa. Uma caixa fechada, numa prateleira alta do roupeiro, facilmente acessível aos papás mas fora da vista das crianças.

O que se guarda na prateleira mais baixa da dispensa, onde os filhotes crescidos já chegam? Pacotes de leite, garrafas de água, chás, ovos e algumas especiarias.

Há coisas simples na vida que podem evitar grandes dissabores no futuro...