18 junho 2012

A rede

A rede é a razão de ser do meu sucesso...
A rede de ajudas devia fazer parte da vida de todas as mães. Antigamente esta rede era natural, vivia-se em comunidade e todos ajudavam, agora a rede tem que ser construída para que exista e ganhe forma. Mas a rede faz falta. A todos: a quem ajuda que por vezes precisa de se manter ocupado, aos pais que são ajudados, às crianças que têm vidas mais pacatas. A minha rede é minúscula e grandiosa. Minúscula em número: conta-se o pai. E conta-se a mãe. Grandiosa, porque o meu pai e a minha mãe são os simplificadores da minha vida. Porque o meu pai e a minha mãe permitem que os meus filhos sejam diferentes entre iguais: os meus filhos não passam o dia inteiro na escola – os avós vão busca-los e ficam com eles até eu chegar. Os meus filhos não almoçam na escola – almoçam em casa, confeccionado pelos avós, com o mimo dos avós. Os meus filhos não passam as férias no ATL – o ATL deles chama-se avó & avô & colo & histórias & brincadeiras na rua & idas ao parque & mergulhos na piscina. Os meus filhos não se levantam de madrugada para irem para a escola –  são os avós que se levantam de madrugada, para que eles possam dormir tudo a que têm direito. E a mamã? A mamã é uma sortuda nos dias que correm, uma mamã que não tem histórias de birras logo pela manhã para contar… Porque de manhã apenas pega em si mesma e segue para o trabalho. Assim como não tem histórias atribuladas de saídas em pânico do trabalho porque ligaram da escola… Porque das vezes que aconteceu ligarem, lá foi o avô buscar os seus meninos. As ajudas fazem da nossa vida e da dos nossos filhos uma vida francamente melhor. Procurem ajuda, peçam ajuda – aos pais, aos sogros, aos irmãos e cunhados, aos amigos. Construam a vossa rede. A vossa rede traduzir-se-á em crianças mais alegres, mais dadas e mais pacatas. Não tenham medo de pedir – pior do que antes de pedir será impossível ficarem, e tudo o que vier é lucro, para todos. Acima de tudo para as crianças.

03 junho 2012

Olhos postos no futuro - parte II

Além das tarefas de casa, empenhá-los numa actividade que os preencha é também uma forma de, num futuro próximo, eles não terem tempo vago para andarem por aí a vadiar. Ou sequer para passarem dias a fio de nariz enfiado na TV e nas consolas de jogos. Claro que muito advirá da cabecinha deles e do meio envolvente… Mas porque não tentar impulsionar as coisas no bom sentido, mantendo-os afastados tanto quanto possível dos tão conhecidos maus caminhos? Pelo menos tentar não custa… Pelo menos eu tentei!
Gostava de lhes conseguir criar esse gosto agora, para que na adolescência já esteja enraizado. Para que, quando forem adolescentes, tenham algum do seu tempo, ou a maior parte do seu tempo, bem ocupado. Em termos de desporto, escolhi a natação. Eles gostam, já têm os seus amiguinhos da piscina, e é dos desportos mais completos que conheço. Para o lazer, escolhi a música. Temos a sorte de ter uma banda filarmónica relativamente perto de casa… E eu acredito que a música (principalmente a clássica) faz bem a tudo: desde a concentração até à descontracção.
O mais velhinho começou há 2 meses, as pipocas ainda não têm idade. Estou feliz porque apesar de no inicio ele não ter querido ir, agora está a gostar, é responsável e não se esquece dos trabalhos de casa que o professor de música mandou fazer. Espero francamente que ele continue a gostar e se mantenha por lá muitos anos… Pois além de garantir uma boa ocupação, facilmente convencerei as manas a seguir os passos dele!

22 maio 2012

Olhos postos no futuro


As mulheres no geral têm uma mania muito parva de sofrer por antecipação. As mães no geral têm essa mania parva multiplicada pelo número de filhos. Não bastasse todas as preocupações que têm, ainda arranjam tempo para se preocuparem com o que ainda está para vir. E, enfim, estupidamente eu não sou exceção.
Penso muitas vezes na adolescência dos meus filhos. Ou em três adolescências em simultâneo. E penso que é uma boa ideia eles terem uma ocupação na fase mais parvinha da vida. E como nessa altura acredito que já seja tarde para os convencer seja do que for, porque rezam as minhas próprias lembranças de adolescente que há uma altura em que nos achamos senhores do mundo e da vida e em que achamos que os pais não estão cá a fazer nada a não ser a azucrinar-nos a cabeça e a proibir-nos de tudo o que a vida tem de bom, convenço-me que de facto é de pequenino que se torce o pepino.
E por essas e por outras, cá em casa são os meus filhos crescidos que põem a mesa todos os dias. Volta e meia zangamo-nos :
“ah, mas nós estamos a brincar…”
“Boa. A mamã também lhe apetece é brincar. Vamos todos brincar, e hoje não há jantar nem mesa posta”
“ah????? Mas mamã… temos que jantar…”
“A sério?!?! É que eu não me apetecia fazer o jantar… Porque a vós também não vos apetece por a mesa”
“Não mamã… era a brincar!! Nós vamos por a mesa!” 
Isto são as zangas meias a brincar. Mas também há as zangas a sério, acrescidas de uns ralhetes e eventuais palmadas por não estarem a fazer a parte deles.
Também são os meus filhos que ao fim-de-semana arrumam a loiça da máquina (aquela a que chegam aos armários, claro…), e que desmancham as camas para eu as fazer de lavado. Para eles é uma festa sem fim, para mim… É muito diferente ter que desmanchar e fazer do que chegar e ser só por os lençóis lavados!! Enquanto eles desmancham uma eu faço outra… Estou com eles, e um bocadinho aqui, outro ali, é muito tempo economizado!
Muitos me dizem “ah, coitadinhos, são tão pequeninos…” Pois são. Mas é em pequenos que eles têm que se habituar. Senão depois não há quem os convença.
A minha avó tem um ditado muito engraçado, que cada vez mais é o meu pensamento aliado de cada dia: “O que uma criança ajuda é pouco, quem desperdiça essa ajuda é louco!”